Juízo de valor e avaliação do quadro político

Sérgio Botêlho
Há duas formas de se conduzir em um debate sobre a realidade política brasileira, atual. Uma, é por meio do juízo de valor, onde você expõe sua opinião favorável ou contra as correntes que se digladiam na disputa entre si. Outra, é por meio de uma simples constatação sobre a realidade das forças em litígio.
Na formulação de um juízo do valor (tipo, tal corrente está com a razão, a outra não) você está efetivamente se posicionando e tomando lado. Por outro lado, se você diz que determinada corrente está “acabada” ou, pelo contrário, está com tudo, você apenas está avaliando a correlação de forças.
No quadro atual da disputa política, em função do acirramento dos ânimos, as duas coisas andam se misturando perigosamente. Outro dia, em um debate com algumas figuras, elas, antipetistas, não concordei com a tese de que o “PT acabou-se”, sem emitir qualquer juízo de valor a respeito do que pensam e do que defendem os petistas.
Defendo que o PT não se acabou e as próprias correntes política antipetistas sabem disso. Se não souberem, o que é muito difícil, correm o sério risco de proceder a avaliações do quadro político completamente erradas. Na esteira do petismo, foram eleitos nove governadores nordestinos e a maior bancada da Câmara dos Deputados.
Entre chegar a essa conclusão e defender os erros dos petistas, estamos tratando de coisas completamente diferentes. É uma completa burrice – somente permitida na propaganda eleitoral, onde tudo cabe para derrubar o adversário – considerar que frente ao quadro colocado, após as eleições, o PT restou destruído. Isso pode até acontecer, mas, ainda não ocorreu.
Ora. Creio que ninguém pode ficar neutro quando se trata de avaliar os erros políticos do PT, e foram muitos. Tanto assim, que o partido perdeu o último pleito, até por uma diferença significativa. Daí, a dizer que o partido acabou vai uma diferença enorme, e somente cabível a quem se recusa a analisar de forma minimamente razoável a realidade política atual.
Ao se aproximar mais um período de gestão federal, com a vitória dos principais adversários dos petistas, avaliar corretamente o quadro é o único meio para que se encontre o mínimo de entendimento dos caminhos a serem trilhados. Tanto da parte dos vitoriosos quanto dos derrotados, compreender a correlação de forças, é vital para tomadas de posições futuras.
Do lado dos petistas, cabe, antes de qualquer providência, proceder a um amplo processo de autocrítica, porque foram muitas as falhas cometidas pelo partido, providência esta que, infelizmente, não parece estar, por enquanto, no horizonte do partido. Do lado dos vitoriosos, analisar o porquê de toda uma região votar favorável aos derrotados é fundamental para a manutenção do poder.
Os que seguem montados em seus palanques de campanha, e continuam com discursos radicais, tanto de um lado quanto de outro, em nada contribuem para o sucesso de suas correntes. Pelo contrário, acabam mesmo colaborando para uma indesejada manipulação da realidade e a continuidade da polarização política a ser superada.

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