Eleição 2018, TRF-4, Lula e a abrupta desencarnação do espírito da Copa do Mundo

Sérgio Botêlho

Neste domingo, 08, ontem, definitivamente desencarnamos do ambiente espiritual da Copa do Mundo da Rússia, após a eliminação do Brasil, e ingressamos bruscamente em outro, este, da mesma forma que o torneio mundial de futebol, de desfecho imprevisível: a eleição 2018.

Quem nos tirou tão abruptamente do ambiente futebolístico e nos fez entrar de cara no mundo da política foi o desembargador Rogério Favreto, plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Atendendo a pedido de habeas corpus assinado por deputados federais do PT, Favreto ordenou que a Polícia Federal, em Curitiba, libertasse o ex-presidente Lula, mobilizando, então, a imprensa e a opinião pública nacional e internacional, sobre o fato.

Daí em diante seguiu-se uma série de decisões judiciais e policiais, entre elas, a recusa do juiz Sérgio Moro da Lava Jato, e, na mesma direção, da Polícia Federal, em cumprir a ordem de Favreto, que, reafirmou sua decisão; nova sentença, esta, do desembargador-relator da Lava Jato, no TRF-4, Gebran Neto, mantendo a prisão de Lula; novamente Favreto confirmando a decisão de soltura, e, finalmente, o presidente do TRF-4, Thompson Flores, mantendo Lula preso.

O domingo inteiro foi tomado por essa novela, e, assim vai ser por esta semana afora, mobilizando de forma barulhenta apoiadores e contrários ao ex-presidente preso em Curitiba, nas ruas e, principalmente, nas redes sociais, inaugurando, em tom elevado, o processo eleitoral de 2018.

Por um lado, o episódio reavivou a questão Lula, às vésperas das convenções partidárias para escolha de candidaturas – a começar no dia 20 próximo, daqui a 11 dias – o que, de certa forma, satisfaz a intenção do PT em manter o ex-presidente na berlinda dos acontecimentos. Embora o partido quisesse, de vera, a libertação do seu líder maior, no que acabou não sento contemplado.

Por outro lado, revela o quanto o Poder Judiciário se encontra dividido sobre o assunto – escancarada, a divisão, por declarações diversas de ministros e ex-ministros dos tribunais superiores -, e quanto ele (o tema) ainda vai render até o final do pleito, e depois dele.

Dessa maneira, para o bem ou para mal, o episódio deste domingo 08 de julho mostra claramente o quanto Lula vai exercer influência no processo eleitoral, candidato ou não ao pleito presidencial, uma realidade que se impõe, tenha-se posição favorável ou contrária ao ex-presidente, e que deve estar presente em todas as avaliações visando estratégias de campanha.

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