Armas de fogo matam caca vez mais

Chega de armas

Armas de fogo matam cada vez maisArmas de fogo matam cada vez mais

Sérgio Botêlho

Já existe quem compare as atuais manifestações estudantis (com forte apoio da população) nos EUA às grandes mobilizações históricas, naquele país, por direitos civis e contra a guerra do Vietnã, nas décadas de 60 e 70.

Segundo matéria na Folha de São Paulo, mais de 40 ataques a tiros de grandes proporções ocorreram em escolas americanas desde 1994. Apenas os cinco mais mortíferos deles ceifaram as vidas de 81 estudantes.

O mais recente, em uma escola de Parkland, na Flórida, deixou 17 pessoas mortas e foi praticado por um jovem de 19 anos, amante de armas, intolerante racial, e com acesso livre às armas e munições que destruíram vidas e famílias.

É esse último ato de ódio que está provocando as manifestações da juventude norte-americana, com eventos de protesto marcados para o mês de março, em todo os Estados Unidos, que promete reunir milhões de pessoas.

Conforme o noticiário, os sobreviventes do massacre foram os primeiros a recorrer às mídias para pedir o maior controle de armas. Pelo celular ou laptop, passam dia e noite convocando protestos, publicando fotos e vídeos e criando hashtags.

Os protestos norte-americanos podem ganhar crescente espaço mundial, num movimento capaz de fortalecer as correntes que lutam em prol do desarmamento, a despeito da intensidade com que grupos defensores de armas vêm se manifestando nos últimos tempos.

Neste momento, no Brasil, tramita no Congresso Nacional um projeto defendido pela chamada “bancada da bala”, com pedido de urgência, que flexibiliza a compra e o porte de armas, atingindo em cheio o Estatuto do Desarmamento.

É algo profundamente lamentável, uma vez que, de acordo com levantamento veiculado em O Globo, o Brasil registra hoje uma taxa de 20,7 mortes por armas de fogo por cem mil habitantes.

Tal estatística é 200 vezes maior do que a de países como Alemanha, Áustria, Espanha e Dinamarca. E mais de cem vezes a de nações como França, Suécia e Noruega. Japão e Reino Unido têm taxa zero.

Ainda de acordo com estudos publicados pelo jornal fluminense, se o Estatuto do Desarmamento, que entrou em vigor em 2004, não foi suficiente para reduzir essa carnificina, ao menos impediu o crescimento acelerado desses índices, o que não é nem um pouco desprezível. Especialistas estimam que 133.987 vidas foram poupadas desde 2004.

Importante anotar que 85% das mortes por arma de fogo no país são com [revólver de calibre] 38 fabricado no país. Ou seja: o Brasil mesmo fabrica e promove o desvio das armas que provocam mortes e desalento.

Ano passado, acadêmicos da Stanford Law School, analisando dados de quatro modelos estatísticos concluíram, peremptoriamente: não há qualquer benefício de segurança pública no direito de carregar armas.

A equipe de Stanford sugere que o aumento do porte de armas contribui para o aumento dos crimes de várias maneiras. Enquanto cidadãos de bem se armavam, criminosos nas mesmas comunidades também conseguiam mais armas.

Portanto, não se trata apenas de mi-mi-mi ou de argumentos em favor dos direitos humanos. A liberação de armas como forma de acuar os bandidos é um erro monumental, fato que é denunciado por correntes policiais e militares em geral. Quanto mais armas, mais violência, mais mortes, e mais criminosos agindo.

Pessoas armadas obedientes à lei, teorizam os pesquisadores, podem contribuir com uma corrida armamentista nas ruas para trazer mais armas ao público, num ambiente em que essas armas têm mais chances de serem perdidas ou roubadas, alimentando assim o mercado informal.

É hora, pois, de assumir cada vez mais resolutamente a defesa do Estatuto do Desarmamento, em favor da vida. E este é um movimento que tende a se fortalecer na mesma medida em que as tragédias provocadas por armas de fogo, para infelicidade geral, se multiplicam.

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