Caixa 2 não é um crime menor

Há um entendimento que merece severa correção: a de que todos os políticos são inarredáveis praticantes do Caixa 2, e, assim, passaria a ser crime de menor potencial, e, por isso, merecedor de pena mais branda, ou, mesmo, de perdão.

É possível que a premissa seja verdadeira. Quando, não, ao menos uma resma de papel não contabilizada ou algum escasso material de propaganda também presentado por fora da contabilidade eleitoral beneficie candidatos menos aquinhoados. Isso é Caixa 2.

Contudo, a maioria esmagadora dos que, afinal, conseguem ser eleitos, com destaque bem maior para os cargos majoritários, costumam alcançar a vitória por força da imensidade de recursos obtidos pelo tal Caixa 2.

Dessa forma, o que acaba prevalecendo nos pleitos, pelo país afora, é a força da grana ilícita, porque fora da Lei, se sobrepondo à naturalmente benfazeja disputa de ideias e de programas, como reclama qualquer regime democrático.

Sem falar que esse processo todo gera um círculo vicioso: o empresário entra com o ‘cacau’, o beneficiário sobe ao poder e recompensa generosamente o doador, que tende a continuar favorecendo o beneficiário, pela força do poder, gerando novas ajudas no próximo pleito.

A desvantagem entre os candidatos, gerada pela prática, que se tornou tão corriqueira no país, desfavorece não apenas a política e o funcionamento do Estado, como, por consequência, o da economia.

Após as delações da Odebrecht, o Brasil encontra uma oportunidade, talvez sem igual em toda a sua história, para rever os métodos eleitorais, iniciando um imediato processo que vise consertar a enorme distrofia do Estado brasileiro.

Dessa forma, o Caixa 2 tem de ser punido, com o mesmo rigor que devem ser punidos os casos de corrupção, para que sirva de exemplo, perante a História, do que não deve ser feito para alcançar o poder.

Enfim, apenas punir não vai resolver absolutamente nada. Na sequência, há de se convocar, imediatamente, uma Assembleia Nacional Constituinte, exclusiva, eleita pelo povo, visando modificar a legislação, de tal forma, que seja priorizada a disputa de ideias e programas no processo eleitoral.

Não é possível que a elite política que foi forjada no país, por conta do financiamento empresarial, quase todo ele alicerçado no princípio do toma-lá-dá-cá, continue condenando o Brasil a patinar no lamaçal da corrupção e do subdesenvolvimento, pelos séculos afora.

(Sérgio Botêlho)

 

 

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